O dia que meu vovô saiu na primeira página do jornal

Se eu fiquei orgulhosa, meus 6 tios, 15 primos, 9 priminhos, 2 irmãos, minha mamy, meu pai, meu marido, a vovucha ficaram supeeeeeer orgulhosos, imagina ele! A pessoa mais vaidosa que eu conheço. Faltando 1 mês para completar 90 anos, meu avô querido (o vovô Max) concedeu uma entrevista de capa para o correio de uberlândia, o jornal da cidade. http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/maxwell-de-oliveira-e-mato-grossense-de-coracao-uberlandense/ 

Depois de 33 anos convivendo com este homem incrível, ele conseguiu mais uma vez me surpreender. É lógico que uma página é muito pouco para uma história incapaz de ser resumida. Não falaram, por exemplo, que até hoje meu avô sobe no telhado de casa pra consertar a antena da TV, que ele não para nuncaaaa, seu dinamismo e sua força incomparáveis. Não falaram sobre o seu amor com as plantas, o conhecimento da fauna e da flora, e como ele voltava com a barra das calças encardidas quando ia capinar o sitio. Não falaram de como ele senta com a coluna retinha na cadeira, que pede para os netos darem socos no seu abdomen pra mostrar o quanto é durinho, que ele come bastante salada verde com azeite nas refeições, e guarda a rapadura escondida no armário de roupas. Não falaram que ele leva um pentinho (para os cabelos) no bolso da calça, mas deu pra ver na foto (e morri de rir quando reparei) que manteve a caneta (da época de contador) no bolso da camisa (sempre branquinha).

Lembro dele se barbear todas as manhãs e colocar uma loção bem cheirosa quando eu chegava para lhes visitar. Lembro do seu abraço carinhoso e dele contar alguns trechos da sua vida, mas sempre assim, no meio de uma história e outra (talvez por isso eu sabia como ele tinha conhecido minha avó, mas não os detalhes do primo cupido). Lembro de eu entrando no seu escritório e vendo ele carimbar com a logo Max Representações papéis pregados com grampos na sua agenda preta e de ter o calendário do ano colado com durex na parede. Lembro que ele sempre foi na dele (mais prático, sabe? respeitando nosso espaço), nunca foi muito chegado a questões sentimentais, deixava que a gente guardasse os mimos pra vovó. Lembro dele sair cedo pra comprar queijo no mercado, levar umas cartas no correio e dar uma passadinha da praça pra bater papo com os amigos (e como quem não quer nada, acabar constatando, que a saúde dele estava muito melhor). Lembro que aos poucos descobriu o amor pelos livros e se dedicou a estudá-los profundamente. É isso, não foi falado na entrevista. Lembro dos porta-retratos das formaturas e casamentos dos netos, e agora dos bisnetos, enfeitando a mesa da sala de estar e do esconderijo nada secreto das chaves que abrem a porta da casa (uma casa sempre cheia, sempre aberta).

E quando leio ele falar que sua maior riqueza é a família, todo mundo que o conhece sabe que é a verdade. A família que ele educou, protegeu, respeitou, se dedicou, e acima de tudo amou. Filhos lindos, inteligentes, sempre sorridentes e portadores da PAZ. Lógico que não podemos tirar o mérito da minha vovó em tudo isso. A mulher que ele cuida, escuta e admira todos os dias das suas vidas.

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