O que acho sobre a comunicação entre grupos

Nunca fui boa de grupos. Sempre que arranjava uma amiga, ela era minha melhor amiga e não entendia muito bem o fato de ter que dividi-la. Não que isso me tornasse uma menina ciumenta e possessiva, longe disto. Era apenas uma criança.

Também tem meu lado independente. Nunca chamei uma amiga pra ir junto ao banheiro. Não enxergo a necessidade que as mulheres tem de fazerem daquele lugar o antro secreto das fofocas e de consequentemente usarem meu ouvido pra pinico.

Cresci com o fato de não conseguir reunir em um mesmo lugar grupos diferentes. Por exemplo, para comemorar meu aniversário eu nunca convidei a família, os amigos do colegial, os colegas do serviço, as meninas da natação, a galera do violão. O que me rendeu o título de ser a maior comemoradora de datas especiais que conheço (fazendo uma festa por dia durante toda a semana). Eu os amo, de uma maneira tão especial, que trato cada um de maneira única. Posso dizer que como legítima geminiana sou uma pessoa diferente com cada pessoa e situação.

Por isso, pra mim, é muito difícil entender, quase impossível conciliar o fato das pessoas se comunicarem através de grupos nas redes sociais. Sim, é uma maneira incrível e maravilhosa de me sentir parte da turma, parecer mais jovem, aceita, e com menos tempo de criar meus próprios problemas já que tenho que ajudar a resolver o dos outros (ou, na maioria das vezes, dar palpites inúteis mesmo).

Mas sou daquelas que uso o celular como despertador e vira e mexe esqueço ele embaixo do travesseiro. Como seria capaz de acompanhar em tempo real o que cada um dos meus amigos vai comer no almoço? Até porquê qualquer tentativa desta façanha me faz querer realmente participar e fazer comentários sobre tudo no zap zap, de assuntos que nem estou por dentro, e que, dependendo da interpretação de quem lê pode parecer mais irônico do que amigável.

Ao contrário do muitos podem imaginar, eu não releio o que escrevo. A primeira coisa que vem na minha cabeça, quase intuitivamente, está lá. Pode servir como um conselho ou apenas filosofia barata. Mas no final ficará registrado e isso pode magoar alguém que nunca, de maneira alguma, eu tinha intenção de magoar.

Aí tem também os grupos da família. Este sim me deixam perdidas. Como posso contar coisas íntimas para minha mãe que a tia-avó-da-minha-prima também ficará por dentro? Quando me dou conta estou no chat do face pensando que tenho uma conversa particular mas na verdade aproximadamente 249 pessoas estão lendo. E elas mudam de tema sem qualquer constrangimento, não acabam uma conversa, dificilmente pontuam alguma frase, tentam usar as gírias dos jovens em momentos inadequados, saem sem se despedir, é um verdadeiro horror.

Acho que apesar de faladeira ainda dou muito valor naquele momento de silêncio em que posso ser eu mesma que ninguém vai me julgar, naqueles minutos que fico com a melhor companhia que alguém pode ter: você mesma.

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