Revista Claudia e Marcos Proença

Nunca reajo muito bem quando me ligam dizendo: – Ellen, você ganhou um concurso… Lendo assim parece pretencioso, mas é que começo a falar baixinho, pra dentro, como se não acreditasse no que estou ouvindo e acabo me atrapalhando toda. Quem está do outro lado deve imaginar que nem fiquei tão alegre, radiante, saltitante, e por mais que vocês já estejam acostumados com minha sorte, ter uma oportunidade tão incrível quanto uma transformação é sempre especial, como se fosse a primeira vez.

E de alguma forma é mesmo. Faz 1 ano e meio que não corto nem as pontinhas do cabelo – desde que ganhei o concurso no blog da Fefi. Dentro de mim tinha esperança que um profissional incrível ainda cuidaria de renovar meu visual. Daí escrevi para Revista Claudia, que leio e sou fã desde pequenininha, e eles me convidaram para participar do Desafio da Leitora.   O que isso significa? Euzinha, fotogrando de corpo inteiro meu antes e depois para uma página da revista (saio na edição de abril), usando um look super moderno e sendo presenteada por um corte e maquiagem do salão do Marcos Proença. Acredita? Estou tão deslumbrada com a ideia que quando eu soube que um motorista ainda me buscaria em casa, não aguentei.

O cabeleireiro Marcos Proença caiu no gosto das blogueiras e celebridades e é um dos mais vistos nos blogs de moda e beleza. O corte feminino não sai por menos de 390 reais. Mas o preço é o de menos perto do seu valor. Estou super empolgada para saber o que ele vai inventar. Há menos de 1 semana fiz uma progressiva incrível com a Simone, uma excelente profissional de Uberlândia, e costumo pintar meu cabelo de preto azul, o que restringe algumas possibilidades. Colorir, fazer mechas, virar loira ou ruiva é uma missão quase impossível. Então só resta cortar, e cortar de verdade, para haver alguma transformação relevante. Tenho uma intuição que vem um long bob por aí.

Ah tá, esqueci de dizer o que escrevi pra ganhar o concurso. Contei que este ano é muito especial pois faz 10 anos que conheci meu marido, e que temos muito o que comemorar pois estamos nos realizando profissionalmente, tornando nossa família cada vez mais forte e unida. É assim gente. Quanto mais sincera, melhor.

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Os favoritos do Oscar

Durante 33 anos, juro que tento assistir a cerimônia do Oscar, mas a combinação fim do horário de verão com o fato de saber que uma das minhas blogueiras favoritas vai acompanhar tudo de pertinho, me faz dormir tranquila (embora ansiosa), para conferir os vencedores e principalmente os looks no próximo dia.

Escolhi 5 vestidos divos para vocês palpitarem qual o mais reluzente, aquele digno de Imperatriz (tô vendo muita novela, hahaha). Tem Jessica Chastain, Dakota Johnson, Emma Stone, Jennifer Lopez, Rosamund Pike. And the Oscars go to…

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o antídoto do perdão – a antítese de mim mesma

Sofrer por antecipação é coisa de quem não tem problemas reais na vida. Invenção de quem não tem mais o que se preocupar. E mesmo sabendo que o pensamento atrai, sempre caio nesta armadilha que só uma pessoa tão ansiosa quanto eu pode ter e SOFRO POR ANTECIPAÇÃO.

Se pelo menos eu usasse isso para conseguir criar situações e antever as melhores respostas para sair daquela saia justa com jeitinho… Mas não. Isso só me deixa ainda mais refém e incapaz de reagir mesmo prevendo o que poderia acontecer.

Minha mãe costuma dizer para eu confiar mais em Deus e colocá-lo na frente das coisas. Que não preciso me desculpar com todo mundo e dar satisfação de toda minha vida ainda mais por um crime que não cometi. Mas sempre soube que ela é muito superior a mim e embora meu sonho seja conseguir seguir seus exemplos (e conselhos) ainda sou um ser humano que sente em excesso, interpreto palavras e gestos elevando-os a proporções inimagináveis, e mesmo que eu consiga perdoar (porque para mim o único sentido disto tudo que se chama vida é o amor) não posso cobrar que outras pessoas, até aquelas que convivem diretamente comigo, tenham o mesmo comportamento. A gente pode pedir, fazer chantagem, até implorar… mas não se manda no sentimento do outro e de como a pessoa pode reagir quando estiver frente a frente a uma situação que lhe causou algum mal.

Deveríamos ter aquele botão do esquecimento para poder acioná-lo toda vez que nos vissemos ameaçados. Ou ainda melhor, o botão que tivesse opção de selecionar apenas as melhores lembranças para guardá-las num cantinho especial e fazer delas o seu porto seguro.

O meu porto, era uma cidadezinha tranquila do interior de Minas onde só moram pessoas bonitas de coração enorme e incapazes de mentir. O meu porto tinha o céu azul e as águas mornas e tranquilas (não era cor de rosa como muitos julgavam). O meu porto tinha gosto de chá mate, sopa de fubá, bolo de cenoura com cobertura de chocolate e pão de queijo. O meu porto tinha as portas abertas, as janelas escancaradas e uma cama aconchegante onde eu podia descansar de qualquer pequena desventura que me acontecesse: coisas futeis como uma dor de dentes, alergia de ar condicionado ou regime forçado que podem dar o maior mal humor mas não duram mais do que um colo de vó. E eu me sinto a deriva, perdida no caminho, sem saber como faço para voltar lá.

Magoo tanta gente dizendo isso quando passei a vida inteira apenas tentando agradar. Mas isso entristece mais a mim do que a qualquer um e faz com que eu perca várias noites chorando de saudades quando deveria estar sonhando com a família toda unida, aquela que me mima, diz que sou a preferida, a menina mais linda mas que acabei me tornando ingrata (até amarga) depois de tanto amor que um dia recebi. Eles continuam sendo os mais amigos, os mais perfeitos, os mais admiráveis, mas por eu não conseguir ser uma pessoa melhor do que fui ontem, por eu sofrer por antecipação, me faz querer fugir, me faz doer.

Hoje, só sei que meu medo é tão rídiculo diante dos verdadeiros anseios do mundo, que eu deveria me envergonhar. Hoje só sei que amanhã não cabe a mim, mas a uma força maior: a do perdão.

Livre

Estava em débito comigo mesma: tirar um dia pra passar com uma grande amiga. Check.

Sábado foi este dia. Como disse a Taís, eu parecia uma criança, com direito a começar com um almoço delicioso no House of Food, bater perna na Paulista, entrar em várias lojinhas, ir ao cinema e terminar em um barzinho a poucos passos da minha casa. A excitação era tanta que só consegui dormir 4h30 da madrugada depois de jogar conversa fora com o maridão e assistir a luta do UFC com ele dormindo no meu colo.

Livre traduziu um pouco deste meu momento. Eu tinha lido em 5 revistas que o filme era um ótimo candidato ao Oscar, mas nunca me deixei influenciar muito pelas críticas. Sabia que era a história real de uma mulher que perde a mãe, termina com o marido e escolhe um caminho um tanto tortuoso (cheio de altos e altos) para tentar se livrar da dor.

Mas foi só depois de vê-lo que compreendi o quanto pra mim é tão difícil deixar ir. Minha mãe passou a vida toda tentando me fazer compreender o quanto é natural desencarnar e que apesar da saudade que sentimos todos os dias, deveria me consolar com o fato de que foi para o bem dela e que um dia voltarei a vê-la. Já meu marido sempre disse que a morte é a única certeza da vida e que nunca será capaz de me dar o suporte que preciso quando acontecer com os meus pais. A família em geral aceita bem. Se apoia um no outro pra aguentar firme, não desmoronar, e acabam crescendo com a dor. Mas eu ainda não aprendi.

Quando meu vôzinho morreu. Aquela homem forte e invencível que eu poderia jurar que ninguém me amou neste mundo mais do que ele, uma parte de mim também morreu. Custei 1 mês pra assimilar a dor. Eu estava sozinha, estudando em Amsterdã, quando tive uma febre forte que me deixou acamada, diagnosticada pelos médicos como a falta dele.

Daqui 2 semanas vamos comemorar o aniversário de 90 anos do meu outro vovô. Um cara tão admirado e exemplar quanto. Um homem, pai, amigo, filho, primo, vô, bisavô, que nunca nunca poderia morrer. Mas um dia vai. E não estaremos preparados.

Este final de semana morreram 2 vovôzinhos de 2 grandes amigas, e a mãe de outra colega. Eu não encontrei as palavras certas, muito menos consegui conter as lágrimas. Fiquei apenas ali, sem voz, toda errada, sentindo a dor como se fosse minha. E é.

Sinto muito meninas. Sinto muito mesmo.

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