Livre

Estava em débito comigo mesma: tirar um dia pra passar com uma grande amiga. Check.

Sábado foi este dia. Como disse a Taís, eu parecia uma criança, com direito a começar com um almoço delicioso no House of Food, bater perna na Paulista, entrar em várias lojinhas, ir ao cinema e terminar em um barzinho a poucos passos da minha casa. A excitação era tanta que só consegui dormir 4h30 da madrugada depois de jogar conversa fora com o maridão e assistir a luta do UFC com ele dormindo no meu colo.

Livre traduziu um pouco deste meu momento. Eu tinha lido em 5 revistas que o filme era um ótimo candidato ao Oscar, mas nunca me deixei influenciar muito pelas críticas. Sabia que era a história real de uma mulher que perde a mãe, termina com o marido e escolhe um caminho um tanto tortuoso (cheio de altos e altos) para tentar se livrar da dor.

Mas foi só depois de vê-lo que compreendi o quanto pra mim é tão difícil deixar ir. Minha mãe passou a vida toda tentando me fazer compreender o quanto é natural desencarnar e que apesar da saudade que sentimos todos os dias, deveria me consolar com o fato de que foi para o bem dela e que um dia voltarei a vê-la. Já meu marido sempre disse que a morte é a única certeza da vida e que nunca será capaz de me dar o suporte que preciso quando acontecer com os meus pais. A família em geral aceita bem. Se apoia um no outro pra aguentar firme, não desmoronar, e acabam crescendo com a dor. Mas eu ainda não aprendi.

Quando meu vôzinho morreu. Aquela homem forte e invencível que eu poderia jurar que ninguém me amou neste mundo mais do que ele, uma parte de mim também morreu. Custei 1 mês pra assimilar a dor. Eu estava sozinha, estudando em Amsterdã, quando tive uma febre forte que me deixou acamada, diagnosticada pelos médicos como a falta dele.

Daqui 2 semanas vamos comemorar o aniversário de 90 anos do meu outro vovô. Um cara tão admirado e exemplar quanto. Um homem, pai, amigo, filho, primo, vô, bisavô, que nunca nunca poderia morrer. Mas um dia vai. E não estaremos preparados.

Este final de semana morreram 2 vovôzinhos de 2 grandes amigas, e a mãe de outra colega. Eu não encontrei as palavras certas, muito menos consegui conter as lágrimas. Fiquei apenas ali, sem voz, toda errada, sentindo a dor como se fosse minha. E é.

Sinto muito meninas. Sinto muito mesmo.

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