o antídoto do perdão – a antítese de mim mesma

Sofrer por antecipação é coisa de quem não tem problemas reais na vida. Invenção de quem não tem mais o que se preocupar. E mesmo sabendo que o pensamento atrai, sempre caio nesta armadilha que só uma pessoa tão ansiosa quanto eu pode ter e SOFRO POR ANTECIPAÇÃO.

Se pelo menos eu usasse isso para conseguir criar situações e antever as melhores respostas para sair daquela saia justa com jeitinho… Mas não. Isso só me deixa ainda mais refém e incapaz de reagir mesmo prevendo o que poderia acontecer.

Minha mãe costuma dizer para eu confiar mais em Deus e colocá-lo na frente das coisas. Que não preciso me desculpar com todo mundo e dar satisfação de toda minha vida ainda mais por um crime que não cometi. Mas sempre soube que ela é muito superior a mim e embora meu sonho seja conseguir seguir seus exemplos (e conselhos) ainda sou um ser humano que sente em excesso, interpreto palavras e gestos elevando-os a proporções inimagináveis, e mesmo que eu consiga perdoar (porque para mim o único sentido disto tudo que se chama vida é o amor) não posso cobrar que outras pessoas, até aquelas que convivem diretamente comigo, tenham o mesmo comportamento. A gente pode pedir, fazer chantagem, até implorar… mas não se manda no sentimento do outro e de como a pessoa pode reagir quando estiver frente a frente a uma situação que lhe causou algum mal.

Deveríamos ter aquele botão do esquecimento para poder acioná-lo toda vez que nos vissemos ameaçados. Ou ainda melhor, o botão que tivesse opção de selecionar apenas as melhores lembranças para guardá-las num cantinho especial e fazer delas o seu porto seguro.

O meu porto, era uma cidadezinha tranquila do interior de Minas onde só moram pessoas bonitas de coração enorme e incapazes de mentir. O meu porto tinha o céu azul e as águas mornas e tranquilas (não era cor de rosa como muitos julgavam). O meu porto tinha gosto de chá mate, sopa de fubá, bolo de cenoura com cobertura de chocolate e pão de queijo. O meu porto tinha as portas abertas, as janelas escancaradas e uma cama aconchegante onde eu podia descansar de qualquer pequena desventura que me acontecesse: coisas futeis como uma dor de dentes, alergia de ar condicionado ou regime forçado que podem dar o maior mal humor mas não duram mais do que um colo de vó. E eu me sinto a deriva, perdida no caminho, sem saber como faço para voltar lá.

Magoo tanta gente dizendo isso quando passei a vida inteira apenas tentando agradar. Mas isso entristece mais a mim do que a qualquer um e faz com que eu perca várias noites chorando de saudades quando deveria estar sonhando com a família toda unida, aquela que me mima, diz que sou a preferida, a menina mais linda mas que acabei me tornando ingrata (até amarga) depois de tanto amor que um dia recebi. Eles continuam sendo os mais amigos, os mais perfeitos, os mais admiráveis, mas por eu não conseguir ser uma pessoa melhor do que fui ontem, por eu sofrer por antecipação, me faz querer fugir, me faz doer.

Hoje, só sei que meu medo é tão rídiculo diante dos verdadeiros anseios do mundo, que eu deveria me envergonhar. Hoje só sei que amanhã não cabe a mim, mas a uma força maior: a do perdão.

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