Papel rasga

Ano passado quando íamos para Nova York levei um puxão de orelha (em inglês, chique bem) quando preenchi a ficha para entrar no país como se ainda fosse filha. Rasgaram minha ficha ao meio argumentando que depois que me casei minha nova família é o meu marido (e até hoje ele ri disso).

No nosso noivado, ele não pediu a mão para o meu pai na pracinha em frente a ArOeste porque achava minha família tradicionalista, ou porque sou extremamente romântica, ou ainda porque um dia depois eu me mudaria para Amsterdam. Ele pediu minha mão porque acreditava que agora seríamos uma única família.

Ano passado, entendi que em alguns momentos precisamos desatar uns nós e assumir as nossas escolhas. Não precisamos, por exemplo, provar a toda hora o quão boa é aquela pessoa que acorda e dorme com a gente todos os dias. Tentar esconder seus defeitos, como se todo mundo fosse perfeito. Mas também não precisamos negar as nossas origens.

Ao reafirmar a minha vontade, assim como fiz ao assinar aquele papel no casamento civil (que não passa de um papel, mas muda muita coisa) eu também dei um passo para minha felicidade.

Hoje me sinto mais livre, plena, segura. Estou começando a aprender a dizer NÃO (só começando mesmo, porque o processo é bem difícil). Continuo ansiosa quando quero agradar todo mundo e não vou conseguir, mas sei que faz parte do meu crescimento e mesmo que doa estou aberta a finalmente ser Oliveira Pitillo Salinas Fontes. Mesmo que não tenha mudado no meu RG e não tenha trocado de cartório e pagado uma taxa a mais por isso.

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