34

Fazia 6 meses que eu não ia a Goiânia. Estava com tanta saudade que diante de tantos compromissos, a vida corrida, a corrida vida, quase desisti de ir. Como eu tinha trabalhado nos finais de semana até de madrugada, minha chefe deu day off no meu aniversário (o melhor presente que alguém poderia ganhar) se eu tivesse realmente tido um aniversário.

Quando soube que meus tios estariam pescando, resolvi liberar minha mãe de fazer uma festa só para os primos (gostaria muito, muito, muito de ter visto eles) mas não queria dar trabalho. Não sei porquê tive esta brilhante ideia. Há 33 anos fui super mal acostumada de comemorar a semana de aniversário da Ellen, correndo o risco desta semana ainda durar 10 dias. Então quando eu disse: “não precisa ter festa, mas podemos comemorar no domingo” eu, definitivamente, não achei que estava dispensando também os abraços, os parabéns, as ligações, o carinho. Sei lá, parece que ir a uma churrascaria rodízio já resolvia.

Daí tivemos quinta (de feriado), sexta, sábado, domingo. Encontrei alguns amigos, senti falta de muitos outros e chegou finalmente a segunda. É isso mesmo. Esperei dia a dia, minuto a minuto, muito. Mas nenhuma surpresa, vinda de nenhum lugar. Até que no meio do chá de bebê feito pela Tati e num jantar de domingo com a Rafa, tentaram me agradar. Teve aniversário. Teve sobremesa. Mas não ouvi o grito da galera cantando parabéns. Não ganhei brinde do garçom.

A meia noite eu estava na sala de TV assistindo SuperStar e fui na cozinha conferir o relógio do microondas. Era hora. Ganhei um beijo do marido, um abraço do pai e ouvi Vapor Barato, minha música preferida de todos os tempos. Dentro de mim borbulhava uma empolgação incontrolável. Antes de dormir ainda conferi as primeiras mensagens. Tudo bem que eram de consórcios, empresas aeronáuticas…sei que foi um job difícil pra eles, por isso valorizo.

A segunda foi igual todas as outras. Ou quase. Fazia muito calor e fui tirar sangue. Quando a atendente da clinica reparou na carteirinha da unimed que era meu dia, me desejou felicidades e eu, por pouco, não levantei para dar um abraço nela. A sequência foi correr atrás de uma pamonha por toda a cidade com a vontade de trazer minha comida preferida para o resto da família e depois de um almoço com quibe queimado, um bolo de banana (que minha mãe comprou com o maior carinho) para não deixar passar em branco. Nem consegui comer, mas a intenção valeu muito mais. Ah, teve o bolo que a Tia Telma comprou também mas levou para Pousada. Como eu disse, amei. O importante é a lembrança.

A tarde voltei pra minha casa. E depois de chegar de viagem quis logo ir para o shopping. Parecia estranho não cumprir o ritual de ir toda semana comer japonês na praça de alimentação. Foi quando senti que realmente tinha ficado velha. Este 1 ano pareceu uns 6 pelas minhas contas. Talvez pelos quilinhos a mais que resistem bravamente de ver se estou na Europa. Talvez, porque depois de meses esfuziantes, com dias tão felizes e cheios de realizações, o tempo havia parado só para me deixar ansiosa. Tentava me lembrar das partes boas: a ligação da tia márcia, da tia carla e do padrinho Beto (depois de 5 anos).

Acordei feliz. Tinha certeza que teria uma surpresa. Tinha certeza que os amigos do trabalho que receberiam com braços abertos e abraços apertados. Na minha mesa, um cartaz imenso tendo eu no papel de Branca de Neve e meus lindos anõezinhos marmiteiros. Se fosse “só” esta a homenagem que o Mario layoutou pra mim, já seria mais do que incrível. Os recadinhos atrás, todas aquelas dedicatórias, nossa, vou guardar pra sempre. Quase na hora do almoço, me ligam chamando da recepção, e a Larinha estava lá com uma cesta de chocolates deliciosa, mas foi o abraço dela e toda sua dedicação que quase me fizeram chorar. No almoço, foram só nós 3. Queria todos amigos presentes, mas eu super entendo. Eu também tinha 5 campanhas pra entregar hoje. Por isso, são 22h e ainda estou aqui.

Daí a tarde passou e tudo bem se tinha melão ao invez de um bolo surpresa na cozinha. Tudo bem. Sei como é difícil organizar toda galera pra fazer uma festa. Mas uma hora fui procurar a Vandinha e vi um bolo lá. Fui ao banheiro achando que era pra mim. Mas quando passei novamente por lá era o bolo de outra colega que faz aniversário no mesmo dia.

Fui para a minha mesa. Segurei para não chorar. Confesso que foi difícil. Quem mandou eu ter dito um dia que não ligava para bolos. Não ligo mesmo. Mas ligo pro parabéns, pela atenção, por lembrarem de mim. E já era 19h. Teoricamente a hora que devemos ir para casa. E o Rafa resolve me chamar pra arejar um pouco, andar até a cozinha. Fiquei brava quando vi todo mundo lá. Fiquei brava quando vi que não ia poder mais ficar brava com eles. Fiquei brava porque já tinha acreditado que não era tão querida assim… E chorei, abaixei a cabeça e chorei. Este ato foi tão espontâneo e infantil e entregue que voltei a ser criança imediatamente. Eles, todos eles, durante o dia todo, e desde quinta, me devolveram a esperança no mundo, a felicidade no coração. Voltei a acreditar na humanidade. E sinceramente, nem sei se quando minha dupla comprou aqueles bolos de cenoura pra mim, imaginava que estava fazendo tudo isso. Fazendo com que eu voltasse aos 14. Ou percebesse que nunca saí dele.

10298913_10153889602227646_6605163601746718645_n 11402721_10153888000087646_7937245009911206194_n IMG_7792 IMG_7911 IMG_7915 IMG_7930 IMG_7948 IMG_7954 IMG_7956 IMG_7958 IMG_7875 IMG_7952 IMG_7789

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s