Cineminha da semana: Samba

Quando nos mudamos para a Europa, deixamos de fazer muita coisa por não ter cidadania. Eu estava com visto de estudante e quando os 3 meses expiraram fui convidada a deixar o lugar onde morava (um quarto em um barco) logo pela manhã. Mesmo com o aluguel já pago, não tinham tolerância nem para me deixar arrumar as malas com calma.

Como meu marido estava com visto de turista, acabamos conhecendo alguns países na redondeza, mas a apreensão era diária. Quando o dinheiro acaba e você precisa trabalhar ilegalmente para se manter, não dá nem pra atravessar a faixa de pedestres sem estar no sinal vermelho. É sempre um risco te pegarem no metrô e deportarem com a roupa do corpo para alguma cadeia do Brasil. Daí a chance de voltar a passear naquele país se reduz a zero.

Engraçado é que mesmo assim, sabendo que não somos bem-vindos, continuamos insistindo em absorver outra cultura, continuamos desejando morar em um país do primeiro mundo, onde uma vida de qualidade faz parte do cotidiano de todos.

Voltamos de lá faz 7 anos e desde então só pensamos em voltar. Não que eu não ame o BRASIL. Sou super brasileira, adoro o jeitinho malandro dos brasileiros, sei que não existem belezas naturais (tanto na praia quanto na serra) mais maravilhosas que a nossa, mas eu adoro viajar, conhecer novas pessoas, aprender novos idiomas e acho que não estou deferindo um país ao outro por causa disso. Mas também sei que para realizar um sonho leva tempo e planejamento. E o filme que assisti ontem me faz lembrar muito bem do porquê ainda não fomos.

Samba é um filme francês, do mesmo escritor de Os Intocáveis. Apesar de ser o nome do protagonista do filme, de tocar música brasileira duas vezes, e de ter um personagem que finge ser brasileiro para se dar bem no trabalho e com as mulheres, fala de Samba Cissé, um imigrante senegalês que sonha fazer carreira como chef de cozinha, e apesar de viver em Paris há mais de dez anos, nunca conseguiu a autorização de residência de que tanto precisa.

Um dia é apanhado pela polícia e encaminhado para o serviço de estrangeiros e fronteiras para ser deportado. É então que conhece Alice, uma mulher que tem ataques de fúria e como tratamento é voluntária numa organização de apoio a imigrantes ilegais. Apesar de saberem que deveriam manter a distância para não se envolverem emocionalmente, eles encontram um no outro motivação para continuar a lutarem.

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