Já me sinto como

Sou mãe.

Sou mãe desde que tinha 2 anos e meio e nasceu a minha irmã. Eu não cuidava dela mas entendi super bem que amor não se divide, se soma.

Sou mãe.

Sou mãe quando no meu aniversário de 5 anos recusei o jogo de panelinhas que o amigo do meu pai me deu com o pretexto de que não ia cozinhar, precisava cuidar da minha boneca.

Sou mãe.

Sou mãe quando meu irmão falou pela primeira vez e percebi que ele nunca pararia de falar e de correr e de alegrar as nossas vidas. E o elegi como meu amor maior.

Sou mãe.

Sou mãe desde que descobri que não bastava plantar uma árvore, era preciso regar para ela crescer, e que ter um animal só para dizer para os amigos que ele é o melhor amigo do homem não basta se deixá-lo preso e se a sua mãe ficar com a tarefa de limpar o xixi e o coco.

Sou mãe.

Sou mãe quando fui escolhida para ser madrinha do Henrique com apenas 13 anos. Vi aquele bebê lindo de cabelos loiros cacheados, enquanto dentro de mim transbordava um sentimento único. E depois pude compartilhar com o Pedro Vinícius, a Isabela, o Benjamin e quem achasse que sou merecedora deste presente.

Sou mãe.

Sou mãe no instante em que dei meu primeiro beijo e aquele nome que tanto rabisquei na agenda se transformou em um menino real. Com isso, compreendi que 1) não existe príncipe encantado 2) não importa se você é a mais tímida, a menina de tranças da escola, se você escolher beijar o menino mais lindo e contar pra turma toda, seu desejo pode se realizar.

Sou mãe.

Sou mãe desde que nasceu a sobrinha do meu primeiro namoradinho e escolhemos juntos o nome dela. E quando precisamos nos separar para cada um seguir o seu caminho em uma cidade diferente, aprendendo com isso que quando a gente quer o bem do outro, precisa deixar partir.

Sou mãe.

Sou mãe na tarde em que meu amigo da faculdade, o Gustavo, me ensinou com toda paciência do mundo a tocar Vapor Barato. Ele acreditava que eu podia tocar e embora eu tenha feito 6 anos de aulas de violão, sabia que era melhor ser cantora. Escolhi que esta seria minha música e Honey Baby minha filha. Quando a música tocasse, em qualquer lugar do mundo, seríamos lembradas.

Sou mãe.

Sou mãe quando decidi escrever um livro e percebi que suas páginas só aumentam a cada da minha vida, a cada história, das divertidas às impublicáveis. Por isso, me tornei redatora.

Sou mãe.

Sou mãe dos meus amigos, dos meus primos, dos colegas de serviço e até da minha mãe. Tenho este lado maternal em mim, gosto de agradar, tentar adivinhar os pensamentos, surpreender, abraçar, escutar, enxergar o lado bom das pessoas, compreender os motivos de cada um, e me entregar a elas com toda a alma.

Sou mãe.

Sou mãe quando a Mila teve a primeira filha, a Camila teve a primeira filha, a Carol, a Tati, a Rafa, a Samy, a Elysa também, e vi todas aquelas barrigas crescendo, os enjoos e olheiras das noites sem dormir, mas acima de tudo a dedicação que tiveram em assumir tamanha responsabilidade.

Sou mãe.

Sou mãe desde que fui morar com minha cunhada e meu afilhadinho tinha 2 meses de idade. Ele não chorava, não me acordava de madrugada, não dava o menor trabalho. Mas aprendi a dar banho, dividir meu prato de comida, brincar, rolar no chão e acordar cedo nos finais de semana só para ter mais tempo com ele.

Sou mãe.

Sou mãe quando dancei com meu marido pela primeira vez, e brigamos, e fizemos as pazes, e entendi que o amor se constrói no dia a dia e me surpreendi ao ver que sou uma mulher mais apaixonada, realizada, plena. Que gostaria que a Julia tivesse seus olhos, seu cabelo, sua cor, mas definitivamente meu gênio. E que dele não precisava ser mãe.

Sou mãe.

Sou mãe desde que disse sim, quero namorar com você, sim, quero ser sua noiva, sim, quero casar com você, sim, quero que seja o pai dos meus filhos. E aí me preparei para isso. Escolhi a cidade ideal para nossa família, arranjei um bom trabalho, fui em zilhões de médicos, emagreci 50 quilos, entrei para a academia, preparei o meu corpo, a minha cabeça e a minha rotina pra receber uma nova vida.

Aí me perguntam: você tem 34 anos, não pensa em ter um filho?Então respondo: Eu espero a vida inteira por isso.

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2 thoughts on “Já me sinto como

  1. Muito bonito e emocionante. Você também foi mãe quando moramos juntos em São Paulo e cuidávamos uns do outro nos nossos primeiros passos por lá.

    Eu também espero muito que a Julia chegue logo, mas também sabemos que ela vira na hora certa, então não precisamos nos apressar.

    Amo você! Matheus

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