3 anos depois

Hoje passou uma matéria no Mais Você falando sobre a cirurgia bariátrica. Dados comprovam que metade das pessoas que se submeteram a cirurgia voltam 30% do peso original depois de 3 anos, e 10% engordam tudo novamente depois de 5 anos. Este mês vou completar 3 anos de cirurgia. Pesava 120 quilos, emagreci 50 e voltei 14. Posso dizer então, que infelizmente, estes dados são reais e faço parte das estatísticas dos 50%.

Mas a pergunta é: isto deve me fazer conformar com o fato e continuar engordando? Costumo brincar que não importa meu peso, sempre terei alma de gorda. Mas a palavra certa não é alma, é cabeça. Apesar de o psicológico não comer é ele quem nos alimenta das sensações de ansiedade e insegurança que só são amenizadas com quilos de chocolate.

O primeiro ano foi fácil. Como eu sabia que comer qualquer tipo de doce como refrigerante, bombom e bolachas recheadas me daria síndrome de dumping (e dumping nada mais é do que a perda de sentidos momentânea como taquicardia, baixa de pressão, morte e uma segunda chance), eu consegui me manter longe deles e por isso, consegui chegar no meu objetivo sem sofrimento.

Até este momento meu estômago media pouco mais de 50 cm. Eu já me alimentava de 3 em 3 horas como uma pessoa normal. Ou seja, não precisava lotar o prato ou repetir.

Mas como, apesar de ter grampeado o bendito, o estômago é um orgão flexível que continua crescendo, no segundo ano você não emagrece mais, mas também não engorda. É notável que seu estômago já deve medir uns 200 cm, mas tudo bem, já que não são 2 litros (como eu costumava chamar carinhosamente de saco sem fundo). O drama é que ele fica completamente vazio a cada meia hora e você sente necessidade de colocar alguma coisa para dentro. Nós, seres humanos, não sabemos lidar com o buraco.

No terceiro ano…bom, se você não se cuidou, não aprendeu a ter uma alimentação balanceada e a fazer exercícios físicos regulares, não tem jeito. No meu caso, engordei 1 quilo por mês e de quilo em quilo o problema é recuperar tudoooo que você emagreceu.

As pessoas costumam dizer: tente lembrar como foi sacrificante, é melhor se empanturrar ou ter saúde? e as dores nas costas, no joelho, no coração, quer voltar a tê-las? imagina se você tiver diabetes, entre outras coisas realmente tristes.

E não adianta falar que não me importo com esse braço enorme e as coxas grossas. É triste não ter controle sobre sua própria boca, pelo seu próprio destino. Sei que o futuro a Deus pertence, mas podemos dar uma mãozinha.

Meu marido, chef de cozinha e melhor amigo, faz muito bem a sua parte ao cuidar de mim me fornecendo alimentos saudáveis nas refeições, mas ele diz que não tem como me vigiar quando estou no trabalho (ele sabe que sou muito mimada pelos meus amigos e isso sempre acaba em comida). Talvez minhas férias forçadas (a.k.a. demissão) possam me fazer assumir as rédeas novamente ou devolver a motivação para olhar novamente pra mim.

Quando o Doutor Oscar realizou minha cirurgia ele explicou que ela não era a solução para todos os meus problemas, mas que era minha última chance, para eu agará-la com mais unhas e menos dentes. Bom, é o que vou fazer. Antes que seja tarde.

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